Ensaios de Orquestra para os Executivos
Fonte: Gazeta Mercantil
Seção: Plano Pessoal - 27/04/2006
São Paulo, 27 de Abril de 2006 - Programa Sinfonia Empresarial adota música como método de treinamento e de capacitação. Analogias entre o desempenho de orquestras e empresas se tornaram recorrentes desde o inesquecível Ensaio de Orquestra, do italiano Federico Fellini. No filme de 1979 os músicos rebelam-se contra o mau gerenciamento do maestro, ignorando a catástrofe iminente (o quadro político da época, com a escalada do terrorismo). Como aconteceu com a orquestra que fellinianamente se desintegrou, uma empresa também pode caminhar para a catástrofe - seja pela má gestão, seja contando só com talentos individuais que não interagem ou sem sinergia entre os níveis.
E o que mais de 400 grandes empresas descobriram é que esta similitude pode ser usada como excelente estratégia de Recursos Humanos. American Express, CPFL, Ericsson, Esso, Basf, Camargo Corrêa e Furnas Centrais Elétricas são algumas que já participaram do projeto "Sinfonia Empresarial", ferramenta de desenvolvimento profissional e pessoal idealizada pelo maestro Walter Lourenção, regente da Filarmônica Nacional e um dos principais maestros do Brasil.
A proposta da Sinfonia Empresarial é levar música clássica para dentro de grandes empresas como método de treinamento e capacitação. O método inclui, além da apresentação de músicos reconhecidos que atuam em orquestras (Sinfônica da USP, Osesp, Unicamp e do Teatro Municipal de São Paulo) uma série de observações pontuais dissertativas do próprio maestro, pré-definidas com a direção de cada empresa.
Durante o tempo da apresentação, ligações entre o cotidiano de uma empresa e as obras de grandes mestres: para o marketing, compassos de jazz; para vendas, um "Bolero de Ravel" e para Recursos Humanos, operetas de Strauss. "Com a apresentação da Sinfonia, a criatividade dos profissionais é estimulada, de forma que compreendam seu papel e busquem novas abordagens no dia-a-dia de trabalho", diz ele.
Segundo Lourenção, funcionários de todos os níveis é despertado para questões como técnica, disciplina, ousadia, liderança, equipe e aperfeiçoamento. "Os conceitos são internalizados. Perduram na memória, no sensorial do indivíduo e, assim, são postos em prática por um tempo mais prolongado", conta. "A melhor prova do sucesso do método é que temos um retorno em torno de 35% das empresas em que nos apresentamos".
Noemi Piguin Pasqualino, chefe de desenvolvimento de SPS em concessionárias da Scania Latin America, conta que a empresa já usou o programa de duas vezes, com um retorno muito bom. "A Scania se preocupa em desenvolver um sincronismo entre as ações locais e a filosofia global da empresa. Assim, cada projeto de RH tem que focar nos objetivos da organização, estimulando crescimento e motivação", afirma Noemi. "A Sinfonia Empresarial responde bem a estes princípios."
A primeira apresentação na Scania foi em 1989 no encerramento de um seminário que reuniu a direção top da empresa de toda a América Latina, inclusive com a presença de alguns vice-presidentes da sede da empresa, na Suécia. "O seminário foi todo em inglês o que não foi problema para o maestro, que fala seis idiomas", conta Noemi. "Ele focou o conceito de sincronimo global, que era o tema do seminário. E sua apresentação teve grande repercussão na Suécia."Já a segunda apresentação foi em 2002, no encerramento de um seminário de desenvolvimento de liderança com 220 participantes. "Ele conseguiu fechar com chave de ouro o encontro, que recriou todos os conceitos desenvolvidos pela Scania durante o ano, sintetizando-os de uma forma associativa, contundente e inesquecível", afirma Noemi.
O maestro já levou sua Sinfonia Empresarial a diversos estados brasileiros: em cada local é formada orquestra com músicos profissionais por meio da empresa Arte & Comunicação, dirigida pelo violonista da USP João Paulo Nogueira. O tamanho varia. O maestro já se apresentou com a Sinfonia Empresarial tanto para 40 como para 1.500 pessoas.
O número de músicos também guarda proporção com o tamanho do público. "Cada apresentação é individual", assegura o maestro. "Cada empresa está num determinado momento e é preciso personalizar e adequar as informações que serão passadas, o que é feito através de reuniões com a sua direção."
As apresentações são interativas. Em determinado momento do espetáculo, o maestro escolhe alguém da platéia para subir ao palco e reger a orquestra ao som da música New York, New York. Para o maestro, "é um momento de descontração, mas também uma boa hora de se definir conceitos de liderança".
O maestro dá como exemplo o que chama de lição da afinação. O objetivo é mostrar que estar afinado, na música quanto corporativamente, envolve vários princípios. Primeiro, ele pede para tocarem o que está escrito na sua frente, mas desligando-se dos outros músicos. Depois, que toquem músicas diferentes cada um. Em seguida que toquem juntos mas sem entusiasmo em mostrar todo o potencial - o resultado, claro, é sempre um tremendo fracasso. "No final, peço uma apresentação caprichada, superlativa. Fica claro que o conceito que separa uma orquestra ou uma empresa do fracasso ou do sucesso é sua afinação".
O maestro Lourenção desenvolveu também a "Sinfonia Educar", para a formação de professores. "Já usamos o projeto várias vezes. A última foi em São Bernardo, onde reunimos mais de 400 professores e diretores de escolas do Sesi", conta Otávio Augusto Ferreira, gerente de administração e planejamento educacional do Sesi (Serviço Social da Indústria). "O Sesi de São Paulo tem 211 escolas em 110 municípios e mais de 5 mil professores. A Sinfonia tem sido importante na uniformização de práticas e métodos pedagógicos num grupo tão amplo".
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