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QUALIDADE DE VIDA
Saúde Corporativa – O capital humano do século 21 – despesa ou investimento?



Fonte: ABQV


Certas áreas econômicas descrevem a produtividade como “a arma secreta do capitalismo”. O aumento da produtividade é a força propulsora para que as empresas melhorem sua performance e adquiram vantagens competitivas. A melhor maneira de consegui-lo está bem em nossa frente – a saúde e o bem estar da força de trabalho. No cenário atual, o capital humano será cada vez mais um fator crítico, por razões que têm a vez com forças básicas – mudanças demográficas e forma de trabalho.

Há meio século, os trabalhadores produziam “coisas”, e a produtividade podia ser medida pela produção / hora trabalhada. Atualmente, à maioria dos profissionais produz idéias ou conhecimentos, sendo um ativo diferenciado para o empregador, e impossível de ser comparado com algo que poder ser simplesmente substituído. Além disso, poucos estão atentos à grande mudança demográfica que está ocorrendo – a força de trabalho está envelhecendo, e o mundo industrializado subitamente enfrenta a falta de profissionais competentes e talentosos. O número absoluto de empregados de alta capacidade está diminuindo rapidamente, e continuará em declínio pela próxima década. Então, cuidar do capital humano torna-se fator crítico para o sucesso do negócio, e a gestão de pessoas precisa ser olhada com mais atenção.

Há algumas décadas, Recursos Humanos era uma função puramente administrativa – benefícios, relações no trabalho, etc. Atualmente, a necessidade de competência e talento fez do RH uma função estratégica, e a maximização do valor do capital humano se tornou não somente uma exigência para o sucesso do negócio, mas também uma questão de sobrevivência.

Historicamente, as organizações têm se concentrado em dois componentes do capital humano, ignorando um terceiro. Os trabalhadores têm sido equipados com os últimos melhores equipamentos – computadores, máquinas e ferramentas – para aumentar a produtividade. Além disso, as boas companhias investem em treinamentos contínuos para manter os empregados habilitados e atualizados num mercado em constante mudança. Entretanto, esquecem ou minimizam a importância de um fator muito importante: a saúde e o bem estar de seus empregados.

Num ambiente de alta competitividade, onde faltam profissionais de alta qualidade e o conhecimento muda de forma rápida; ignorar essa área é correr um sério risco, pela simples razão que o conceito de saúde e bem estar se tornará a grande fonte para o aumento da performance, e diferencial crítico entre companhias de alta e de baixa produtividade.

A gestão de RH ou de capital humano deve envolver o gerenciamento de saúde e produtividade. Isto não é somente uma mudança de paradigma na assistência médica; é mais do que isso: é gerenciar pessoas a fim de aumentar os resultados empresariais. Olhar a saúde como um grupo de fatores independentes é ter uma visão simplista do conceito. Uma boa assistência médica não significa simplesmente tratar de doenças, e riscos relacionados à produtividade.

A saúde da força de trabalho, seu estilo de vida e seu perfil de riscos, são as maiores fontes de performance e vantagem competitiva, mas requerem a gestão de doenças, sinistralidade, para toda a população envolvida.

A frase “não se pode gerenciar o que não se pode medir” mostra às empresas que o caminho seguramente será a medição dos resultados da gestão da saúde e da produtividade.

Perceber ganhos em perfomance requer algo adicional. Empregados saudáveis e produtivos são encontrados em maior número em boas culturas corporativas – em Companhias saudáveis. Empresas que desenvolvem ações de bem estar, qualidade de vida, promoção de saúde, e gestão de riscos, dentro de um ambiente de apoio, ganham mais. Organizações têm sua própria anatomia e fisiologia, e podem produzir e transmitir seus próprios “agentes patogênicos” aos empregados. Os valores corporativos, políticas, e práticas devem contribuir para uma “ergonomia de saúde” no ambiente de trabalho. Por outro lado, sabemos que as companhias se beneficiam quando a quantidade de dias de afastamento diminui. Além disso, a percepção de que ter empregados presentes não significa boa produtividade começa a crescer. Uma grande fatia dos custos de saúde se deve ao “presenteísmo” (empregados continuam a trabalhar, apesar de seu estado de saúde afetar a produtividade). As organizações devem olhar mais para o custo da manutenção de empregados saudáveis, e não somente para o custo de não mantê-los saudáveis; devem envolver na gestão tanto as pessoas saudáveis, quanto àquelas que têm uma ou mais condições crônicas. Já os planos de assistência médica devem ver a saúde e a produtividade do trabalhador como uma oportunidade, e não como algo misterioso.
Dois pontos representam entraves para as empresas:
1. Falta de percepção de saúde como forma de capital – como são percebidos conhecimento, habilidades, etc.
2. Falta de investimento na manutenção da saúde e bem estar, como o que é feito na manutenção do “bem estar” de instalações e equipamentos.

Empresas devem olhar para planos de saúde com estratégias que forneçam múltiplas abordagens, para todos os empregados, não somente para os de alto risco. As organizações mais inteligentes estão desenvolvendo planos de incentivo para os empregados que se mantêm saudáveis.

A gestão da saúde e produtividade não deve ser um modismo. Ela é o caminho para o sucesso futuro da empresa, porque é derivada de verdades incontestáveis – demográficas, econômicas e psicossociais. Quando uma companhia coloca em seu discurso a frase: “nossos empregados são nosso mais importante ativo” deve demonstrar esse comprometimento investindo na saúde e bem estar de seus empregados.

O futuro pertence aos inovadores e aos velozes; empresas formadas por pessoas de altíssima performance e investimentos significativos em saúde. O plano de saúde de maior sucesso é aquele que evita custo e não aquele que o controla.

(*) Ricardo De Marchi é médico e diretor do CPH HEALTH
Fonte: ABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida.



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