A MEDICINA DO FUTURO


Mishio Kaku em seu livro “Physics of the Future” mostra como a ciencia moldará o destino da humanidade e o nosso dia a dia por volta do ano de 2100.

Segundo o cientista e professor de fisica teórica na Universidade de New York, historicamente a medicina passou por 03 grandes estágios:

  • O primeiro que durou quase 10 mil anos, foi dominado por superstições, bruxarias e boatos. Com alta mortalidade infantil, a expectativa de vida girava em torno de 18 a 20 anos. Algumas ervas medicinais e substancias químicas foram descobertas durante esse período, como aspirina, mas não haviam processos sistemáticos para encontrar-se novas terapias. Infelizmente os medicamentos que realmente funcionavam eram guardados como segredos. O médico tinha sua renda agradando pacientes ricos e, tinha todo o interesse em guardar os segredos de suas terapêuticas.

  • O segundo estágio começou no século 19, com a chegada da teoria dos germes e melhores condições sanitárias. A expectativa de vida se elevou a 45 anos. Médicos, agora lutavam pela fama publicando estudos e, isso evoluiu para o aparecimento de antibióticos e vacinas, os quais elevaram ainda mais a expectativa de vida, chegando a mais de 70 anos.

  • O terceiro estágio chegou à medicina molecular, a qual integrou a saúde com a fisica, reduzindo a medicina a átomos, moléculas e genes. Essa transformação começou por volta de 1940 quando foi publicado o livro “What´s Life” por Erwin Schrodinger (um dos idealizadores da teoria quântica) onde afirmava que a vida era baseada em algum código presente dentro de uma molécula. Em 1953, numa das maiores descobertas de todos os tempos, Francis Crick e James Watson desvendaram a estrutura do DNA, a qual contém de mais de 3 bilhões de combinações de ácidos nucleicos (adenosina, tiamina, citosina e guanina) que carregam o código da vida.

Um interessante artigo na “ The Economist” em 2018 mostrou que o rápido avanço da genética molecular levou a criação do Projeto Genoma Humano, um verdadeiro marco na história da medicina. Custou mais de 3 bilhões de dólares envolvendo centenas de cientistas no mundo. Quando a sequência foi completada em 2003, uma nova era da ciência foi anunciada, onde todos os indivíduos poderiam ter seu genoma personalizado em um pen drive, listando milhares de genes como se fosse um manual de proprietário.

A biologia se tornou uma ciência da informação.

Em virtude disso, novas drogas, células tronco, engenharia genética e muitos outros tratamentos estão surgindo, e poderão extender a expectativa de vida para mais de 120 anos, o que ocasionará profundos efeitos na sociedade. A maioria deles será positiva, mas não todos. ]

Imagine um mundo no qual se consegue ser mais saudável com um coração ou um fígado zero km ou um conjunto de rins, todos produzidos com suas próprias células, tão comum como as próteses de quadril ou joelho são atualmente. Ou um mundo onde você celebrou 94 anos correndo uma maratona com seus amigos de infância. Em outras palavras, imagine um mundo onde o envelhecimento tivesse sido abolido....

Esse mundo ainda não está disponível, mas algo semelhante poderá acontecer num futuro não muito distante. Senescência, o processo experimentado por todos nós, está sob escrutínio por médicos e biologistas. Suspendê-la ainda não é uma carta desse jogo, mas desacelerá-la provavelmente é...

O novo aumento da expectativa média de vida será provocado por drogas antienvelhecimento, algumas das quais já existem. Isto, por um lado, poderá elevar a duração da vida para muitas pessoas, ultrapassando o teto atual de 120 anos. Mas pode ser só o começo. Na próxima fase não só a expectativa média de vida, mas sua duração aumentará. Se uma parte do corpo se desgastar por excesso de uso, será reparada ou substituída. O DNA será otimizado para uma vida longa. Isso somado a drogas antienvelhecimento fará com que centenários se tornem comuns.

Com esse objetivo, muitos “restauradores” começam a se oferecer ao mercado, querendo melhorar os tecidos desgastados, usando células tronco (precursoras de outros tecidos). Essa bio-renovação, à base de um não provado tratamento em voga, em alguns círculos começa a ser discutida e isso certamente evoluirá. Existem pesquisas com o objetivo de que as modernas técnicas genéticas poderão em algum tempo ser usadas para prolongar a vida através do DNA.

Uma preocupação é que uma vida mais longa afetará os problemas sociais e econômicos existentes. O desafio mais imediato será o acesso à tratamentos anti-senescência. Se uma vida mais longa é cara, quem será o primeiro? Hoje, a renda pessoal já é um dos fatores envolvidos na expectativa de vida. Aumentar esse gap com tratamentos inacessíveis aos pobres poderá aprofundar a divisão que já causa tensão numa democracia. Será que os mais velhos serão discriminados em relação aos jovens como agora? Ou irão se sobrepor a eles, pela experiência acumulada. Esses idosos deixarão de se considerarem velhos, mantendo alto vigor físico e afiada atitude mental, ou tornarão a sociedade mais conservadora.

Uma razão para essas mudanças encontrarem pouca resistência, é que a vida será mais uma série de novos começos do que uma única história. A crise da meia idade poderá não ser a busca da juventude perdida como é hoje, tentando fazer o máximo no futuro disponível. Aposentadoria será uma opção mais distante, desde que o dinheiro em caixa seja suficiente para suportar uma vida mais longa. Para esse objetivo, o CV será a regra e a educação terá que mudar de acordo com as oportunidades. Pessoas poderão voltar às escolas com 50 anos para aprender algo completamente diferente. O trabalhador braçal, certamente terá um trabalho menos árduo, o contador poderá ser um médico. O advogado um engenheiro. Possivel que alguns façam sabáticos longos entre carreiras, arriscando-se em aventuras, sabendo que a medicina poderá repará-los se necessário.

Tédio e a necessidade de variar alterarão a vida familiar. Quantos se amarrarão com alguém aos 20 anos, com a expectativa de estarem com a mesma pessoa 80 mais tarde? O parceiro de uma vida, atualmente em declínio, será raro, substituído por uma serie de relacionamentos, longos como são hoje considerados os casamentos tradicionais. Assim como para reprodução, onde a tecnologia poderá certamente contribuir para que a procriação possa se prolongar por décadas se assim for desejado.

Tais especulações são interessantes e na maioria otimistas. A promessa de uma vida longa, bem vivida, refinará o ser humano, mas essa visão de futuro depende de que a existência seja saudável.

Nosso organismo se desenvolve para descartar genes de uma geração à outra. Biologistas têm um nome para isso: soma disponível. Ele explica não somente a senescência geral, mas também como a demência, câncer, problemas cardiovasculares, artrite e muitas outras coisas, das quais a juventude protege, mas aparecem com a idade. Isto também deverá ser cuidado se a longevidade se tornar rotina. Além disso, mesmo um cérebro saudável pode envelhecer de modo não adequado. Um órgão preparado para guardar 70 a 80 anos de memória pode ser incapaz se tiver que lidar com 150 anos de histórias. Com o avanço do entendimento biológico, a longevidade será alcançada, mesmo que a imortalidade possa não estar tão próxima, como muitos imaginam, mas certamente o adágio vitoriano “mens sana in corpore sano” está sendo redescoberto.

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