OS MITOS DO CHECKUP

August 24, 2020

 

Muitas doenças são assintomáticas e permanecem ocultas até o ponto em que sintomas se tornam mais presentes e mais difíceis de gerenciar. Fazer um checkup periódico aumenta as chances de perceber uma doença em seu estágio inicial e assim poder ser curada.

 

Mesmo que os mais elaborados não detectem precocemente doenças com 100% de exatidão, podendo criar uma sensação de falsa segurança, ainda são recomendados por corporações que desejam “assegurar” a saúde de seus executivos.

 

Esse serviço está sendo descontinuado, pois para alguns, encorajam a crença de que uma avalição regular elimina a necessidade de se preocupar tanto com a manutenção da saúde.

 

O modelo atual apesar de parecer, não é orientado para a real prevenção, e muitos equívocos existem apesar da alta tecnologia e capacidade diagnóstica disponíveis. Entender suas forças e limitações é fator essencial nesse processo. Existem tendências que têm convencido os empregadores que esse tipo de intervenção pode ser melhor aproveitada. Meios mais duradouros e sensíveis para mudar o atual modelo e, que possam demonstrar mais claramente o retorno do investimento.

 

Conheci de perto o processo na Mayo e na Cleveland Clinic, primeiro e segundo colocados no ranking mundial de excelência hospitalar na área de checkups.

 

Em ambos locais o processo é extremamento otimizado com recursos usados eficaz e eficientemente. A gestão do processo, a combinação das atividades e a qualidade das informações são de “tirar o chapéu”, porém deixam a desejar na integração com a real saúde. Em Cleveland, meu caro amigo Michael O´Donnell exerceu a função de diretor de promoção de saúde, onde fez grandes esforços para integrar o processo de checkup com sua área. Era muito dificil, o diálogo entre saúde e doença não existe. Na Mayo a mesma situação, onde um bilionário doou milhões de dólares para a construção de um centro de promoção de saúde pós checkup (Healthy Living Center) que fornece uma variedade de opções focadas em saúde e bem-estar e é pouco aproveitado para a continuidade da avaliação médica. Por outro lado, o que chama atenção é a resolutividade em se resolver o que é apurado no checkup. Se você é diagnosticado com risco de oclusão coronariana por exemplo, nem sai do hospital, e em alguns dias já está em casa,  após um stent, angioplastia ou revascularizão. Esse ponto realmente impressiona, e, os checkups no Brasil não ficam atrás.

 

O checkup deveria ser mais motivador do que é. Quando você é elegível para um programa de checkups da sua empresa, na maior parte das vezes adora o benefício, achando que sua saúde estará protegida ao máximo... você chega na recepção, preenche consentimentos e históricos de saúde numa sala de espera e, já com traje especifico, fica imaginando ao que irá ser submetido durante o periodo de exames. Outros pacientes ao seu lado com a mesma preocupação: “será que vão achar alguma coisa errada? ”. Chamado para coleta de sangue e entrevistas com diferentes profissionais e exames, você passa por uma detalhada avaliação da cabeça aos pés e tem um “fechamento do processo”, onde recebe um panorama ainda não definitivo do que apresentou. Sai de lá pouco motivado para mudar seu estilo de vida e com o papel cumprido (checkup na maioria das vezes é mandatório pelo empregador) achando que como foi checado, não há a necessidade de se preocupar com a saude até o próximo ano!

 

Atualmente os grandes centros oferecem acompanhamentos variados e específicos de acordo com as necessidades e interesses do cliente, os quais não são tão efetivos como poderiam, e isso se constata no próximo checkup, onde a grande parte dos indivíduos conseguem poucas mudanças em seu estilo de vida

 

A demanda por um processo mais abrangente é ilimitada. Abordagens e exames customizados, acompanhamentos orientados não só para a cura, mas também para a prevenção, e que valorizem mais o investimento realizado. Um cardápio onde tópicos como qualidade do sono, processo de envelhecimento, medicinas alternativas, saúde mental, gestão pessoal de saúde, respostas mais efetivas aos riscos, pró-atividade na gestão da energia e vitalidade seria algo bastante atraente e capaz de atingir melhores resultados. Checkup deveria fazer parte de um processo educacional constante e não só uma ação periódica.

 

Certamente iremos evoluir para um desenho desse tipo, com a assistencia médica oferecendo produtos preventivos, acoplados a incentivos, o que trará economia em custos e todos sairão ganhando. Prêmios menores, ligados ao estilo de vida, recursos usados de forma mais adequada e o usuário sendo capacitado a gerenciar melhor sua saúde. Muita coisa virá por aí... avaliações genéticas, tecnologias, sensores individuais, etc. Se soubéssemos qual futuro nos espera, relacionado à saúde e longevidade (mais do que possibilidades) provavelmente seríamos mais responsáveis.

 

Chave adicional para o sucesso em longo prazo é uma forte relação com o provedor médico, uma ação relevante para obter novos padrões na saúde e qualidade de vida pessoal, integrando as melhores práticas da medicina tradicional com os últimos avanços no bem estar, vida saudável e prevenção .


Tanto Esculápio, deus da medicina e da cura, quanto sua filha Higyeia, deusa da boa saúde e prevenção ficariam felizes com isso, além de Hipócrates, um ser não mitológico, mas o Pai da medicina... 

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