A cultura da doença – porque a resistência do setor?



Nas últimas décadas a atitude da população tem mudado em relação à saúde, de uma quase inquestionável aceitação da conduta médica no tratamento e processo de controle de riscos para uma que apesar de reconhecer o valor da medicina percebe que outros fatores são determinantes para a manutenção de uma saúde de alta qualidade.


Michael O´Donnell, uma referência nessa área, diz que se as pessoas vivessem de forma mais saudável, comessem alimentos mais nutritivos, mantivessem peso corporal apropriado e se exercitassem regularmente fariam um bem maior à saúde do que os médicos seriam capazes de fazer. Apesar da grande maioria da população conhecer esses conceitos, o amadurecimento e consequente consolidação desses comportamentos ainda deixa muito a desejar.


A mudança de atitude inerente a essa abordagem tem um longo caminho a frente e um dos primeiros passos está sendo dado, integrando a abordagem da promoção da saúde aos outros benefícios de saúde, subordinando-a ao modelo de assistência médica existente, mantendo sua integridade quando uma eventual divergência acontece e evitando confrontos. A resposta a esse desafio tanto pelos profissionais de saúde quanto pelas empresas nesses próximos anos definirá o sucesso e será certamente uma significativa contribuição à saúde.


O sistema atual pouco se envolve com saúde individual (o atuarial é quem manda) e o usuário também não se envolve como poderia com sua própria saúde. Por outro lado, a empresa, responsável pela oferta de saúde a seus empregados, tem seus esforços dirigidos para objetivos a longo prazo, que representam lucro e sustentabilidade. O incompreensível é que quando a qualidade da saúde é colocada na pauta, querem resultados a curto prazo! A alocação de recursos mostra a que essa conduta é cega e arbitrária, com o investimento sendo incomparavelmente maior em cura do que em prevenção.


Como sabido, uma grande parte da população é coberta pela saúde suplementar e a enorme quantidade de operadoras existentes tem diferentes níveis de interesse na prevenção da doença e promoção da saúde. Entretanto, um número crescente delas tem dado importância à real saúde e não só a doenças, principalmente pelo modelo vigente que até hoje não consegue reduzir custos, além da pressão da sociedade.

Incapazes e algumas vezes relutantes em tomar uma atitude mais firme e confrontar os provedores para estancar o aumento de custos, começam a avaliar e estar mais alertas às causas de utilização dos serviços, reconhecendo que a maior parte das contas médicas deriva em parte de doenças capazes de serem prevenidas ou adiadas por mudanças nas práticas pessoais de saúde.


A educação em saúde no ambiente de trabalho é particularmente relevante para o interesse das seguradoras assim como de seus clientes, pois geram redução do absenteísmo, aumentam a produtividade, aprimoram a utilização e diminuem os custos. Reconhecem que conseguir economias não acontece de forma rápida, e as evidencias atuais são suficientes para dar frutos. Já dizia Kenneth Cooper “a qualidade do futuro está na preparação do presente”. GO AHEAD

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