FATOS SOBRE A DESACELERAÇÃO DO ENVELHECIMENTO



Para a civilização não existe tempo melhor para entender o envelhecimento. Dezenas de milhares de pessoas chegam diariamente aos 65 anos em todo o mundo.


Por décadas, cientistas acreditavam que o tempo de vida dos humanos era fixo e imutável e qualquer modificação estava além do alcance da ciência. Nos últimos anos essa visão foi se desmoronando pela chegada de uma incrível série de experimentos que revolucionaram o campo. A gerontologia, área adormecida da ciência, se tornou um dos setores mais quentes, atraindo grandes investimentos e elevando as possibilidades de desenvolvimento científico e comercial.


A genética tem um papel vital no processo. No reino animal a duração da vida é variável e como exemplo, nosso DNA difere do DNA do chipanzé (nosso parente genético mais próximo) por somente 1,5% e ainda assim vivemos 50% mais. Cientistas sabem que o envelhecimento é o acúmulo de erros genéticos a nível celular que podem se desenvolver de várias maneiras. Por exemplo, o metabolismo cria radicais livres e oxidação, os quais prejudicam o delicado mecanismo celular, causando o envelhecimento. O acúmulo desses erros genéticos é um subproduto da segunda lei da termodinâmica: entropia (grau de desordem de um sistema) que aumenta e causa danos. Isso é o porquê da ferrugem, do apodrecimento, da decadência, características universais da vida. Essa segunda lei pode ser representada pela ação do estrógeno nas mulheres, o qual as mantem jovens e vibrantes até a menopausa, quando o envelhecimento acelera e a taxa de mortalidade aumenta.


Recentemente, uma serie de pistas tem sido descoberta sobre genes e envelhecimento. M. Rose, da Universidade da California (Irvine) anunciou que foi capaz de aumentar a duração da vida de moscas de frutas em 70% através de reprodução seletiva. Essas super moscas tem quantidades maiores do antioxidante superóxido desmutase (SOD) o qual pode desacelerar os danos causados pelos radicais livres.


Mas nossa longevidade não é 100% determinada por nos genes. Alguns cientistas acreditam que o peso genético é por volta de 35% e que o envelhecimento é concentrado no “motor celular” ou na “usina de energia célula” – as mitocôndrias. Segundo pesquisadores de referência no meio acadêmico, por volta de 2050 será possível desacelerar o processo de envelhecimento via uma variedade de terapias como células tronco, engenharia genética e reposição de órgãos. Talvez possamos viver 150 anos ou mais. Por volta de 2100, poderá ser possível reverter os efeitos do envelhecimento acelerando o processo de reparação do mecanismo celular e aumentar bem mais a duração da vida.


A restrição calórica também parece impedir alguns pontos do envelhecimento a nível celular. Animais submetidos a dietas de restrição calórica tem menos tumores, menos doenças cardíacas, menor incidência de diabetes e menos doenças relacionadas ao envelhecimento. Dietas restritivas reduzem a atividade da proteina chamada TOR (Target Of Rapamycin) importante na biologia clínica, que parece acelerar o envelhecimento celular. Essa proteína é relacionada a diversas doenças e é alvo da rapamicina, farmaco conhecido como imunodepressor, utilizado em transplantes de órgãos. Atualmente tem sido experimentado como prolongador da expectativa de vida em animais. Além disso cientistas de Harvard e do NIA (National Institute of Aging) demonstraram que a restrição calórica traz para a discussão a enzima sirtuina, a qual promove a sobrevivência celular e parece estar relacionada com o envelhecimento, com a resistência ao stress, e com a regulação de processos metabólicos em situações de baixa quantidade de calorias. O desafio dessas pesquisas é de alguma forma preservar os benefícios da restrição sem comprometer a saúde.


A tendência natural do ser humano é ganhar peso, não perder. Não é agradável viver numa dieta restritiva e, em animais tem efeitos como letargia e perda do interesse sexual. O gen SIR2, envolvido nos efeitos da restrição calórica, detecta a reserva de energia celular. Quando o nivel é baixo, por exemplo na inanição, o gen é ativado. Por outro lado, esse gen tem uma contraparte, o SIRT, que produz a sirtuina, ativada pelo resveratrol encontrado no vinho. A sirtuina em ratos, protege contra uma séria de doenças como câncer de pulmão e de colon, melanoma, diabetes tipo II, doenças cardiovasculares e Alzheimer.


Enquanto muitos pesquisadores procuram novos meios de combater as questões relacionadas a idade, alguns debatem abordagens preventivas para lutar contra muitas das doenças que em tese estão mais ao nosso alcance. Sabemos que a idade é o grande fator para doenças crônicas, porém existem processos que promovem o envelhecimento:



1. Adaptação ao stress- como os fatores estressores individuais e ambientais afetam nosso bem-estar fisico e psicológico ao longo do tempo

2. Epigenética – como o ambiente em que vivemos afeta nossa atividade genética

3. Inflamação – a resposta natural do corpo a inflamações crônicas que aceleram o envelhecimento

4. Danos macro celulares (causas e efeitos) que afetam as moléculas de nosso organismo – DNA por exemplo – e que leva ao desenvolvimento de doenças crônicas e envelhecimento

5. Metabolismo – mudanças metabólicas devido a idade podem ter importante papel nos problemas cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, diabetes, câncer, etc

6. Proteostase – o processo que regula e mantém a apropriada função das proteínas dentro das células

7. Células troncos e regeneração – Em adultos é bem conhecido seu papel na habilidade em se dividir, renovar e repor os tecidos danificados no corpo.


Entre esses 7 pilares, o metabolismo tem inspirado os cientistas a entender porque a restrição calórica parece aumentar a expectativa de vida em ratos e outros animais. Metabolizar menos calorias resulta menos danos oxidativos? Pode a ausência de nutrientes acionar algum mecanismo de defesa para proteger o corpo?


Outro pilar sendo bastante estudado são as consequências a longo prazo das inflamações crônicas, as quais parecem ser reduzidas em indivíduos centenários. O desenvolvimento de drogas que possam modificar esse processo inflamatório está sendo investigado, mas é complexo. A droga mais promissora até agora é a rapamicina, imunossupressora, citada mais acima. Em ratos tem inacreditáveis efeitos que vão da prevenção de Alzheimer e de doenças cardiovasculares à redução de câncer.


A hipóxia é outra área de estudos de desaceleração do envelhecimento (retardar o encurtamento dos telômeros). Pela primeira vez na história médica, temos teorias e tecnologias para mensurar a longevidade em humanos e é certo que nos próximos 10 anos a ciência revelará para onde temos que ir.


Quando falamos em organismo, sabemos que com a idade a produção hormonal se modifica, nosso corpo armazena mais gordura e perdemos entre 3 a 8 gr de massa muscular a cada década, partir dos 30 anos.

Muitas pessoas que mantém o mesmo peso durante a vida não têm consciência que a composição corporal se modificou. Parte desse processo pode ser revertido por musculação e reposição hormonal, mas os ossos representam um problema diferente, a densidade óssea só pode ser construída até os 30 anos. Pesquisas atuais procuram entender porque a inibição de certas moléculas (exemplo - a Stat 3 em ratos) promove a regeneração muscular. O tempo não é generoso com a musculatura, especialmente com o músculo cardíaco que cresce e enrijece devido a hipertrofia o que eleva o risco de morte prematura e outras de doenças cardíacas. Ainda não se sabe como esse processo pode ser revertido.


A GDF11 (growth differentiation factor) proteina encontrada no sangue principalmente de camundongos, aparece também em diversos tecidos (ossos, músculos, pâncreas, rins, sistema nervoso e retina) e é alta em animais jovens, tem propriedades neurogênicas (formação de novos neurônios) e angiogênicas (formação de novos vasos sanguíneos) e induz padrões para o sistema nervoso central (SNC) tendo sido proposta como “fator de rejuvenescimento”.


Ao lado desse imenso campo de pesquisas cientificas fatores relacionados ao nosso estilo de vida são os que na realidade podem contribuir em nosso dia a dia. Enquanto não for construída uma “pílula da juventude”, inúmeras ações contribuem para nossa longevidade (Dan Buettner - Blue Zones):


1. Ter vida social

2. Ingerir bebida alcoólica moderadamente

3. Beber vinho tinto 2 a 3 vezes por semana (Resveratrol estimula a sirtuina que desacelera o envelhecimento).

4. Ter proposito de vida

5. Saber desacelerar

6. Comer o necessário e saber quando parar

7. Alimentar-se principalmente de vegetais grãos e frutas

8. Comer menos carne e laticinios

9. Ter forte ligação familiar

10. Dormir o suficiente

11. Cultivar a espiritualidade

12. Ter contato com a natureza


Claro que isso só é possível havendo bem estar social, o que no Brasil é inexistente para a maioria de nossa população. Envelhecer com atitude também é útil e afeta o quanto bem envelhecemos. Pessoas mais conscientes tem maior probabilidade de vida longa, o que faz sentido – se vc for bom em manter promessas e estar presente na hora certa será provavelmente bom em aderir a dietas e estilo de vida saudáveis. E temperamentos maleáveis conferem vantagens na vida. Pesquisas demonstram que pessoas com esse perfil são mais descontraídos e mais otimistas com o futuro. Por outro lado, pessimistas são mais susceptíveis a condições como hipertensão arterial e depressão.


Mudar o modo de ver o mundo muda o temperamento o que melhora a saúde fisica e mental durante a vida. GO AHEAD

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