O NASCIMENTO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA NO BRASIL


No fim da década de 80, participei de um evento nos EUA que me tornou convicto da necessidade de desenvolver estratégias para valorizar a saúde corporativa.


O primeiro pensamento foi no como sensibilizar a liderança pela indissociável relação entre saúde, bem-estar, produtividade e custos. A confluência de custos crescentes e má saúde já ameaçava a sustentabilidade do sistema. Foi um argumento para interagir com a liderança apesar de não ser prioridade de investimento por parte deles naquele momento

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A tática foi mostrar que no lugar de gastos em tratamentos para empregados e dependentes depois de ficarem doentes, fazia mais sentido investir na manutenção da saúde. Sensibilizar os empresários a protegerem seus investimentos em capital humano da mesma forma que protegiam seu capital imobilizado foi um desafio duríssimo aos que abraçaram esse conceito.


Mostrar que os custos indiretos da má saúde representavam um alto risco para a lucratividade, foi a doutrina no dia a dia.


O que podia ser feito era pouco. Não haviam exemplos no Brasil

Em discussões com colegas diante das barreiras ditadas pela cultura exclusiva da doença, germinou a idéia de conhecer boas práticas internacionais que servissem de referência.


O incômodo dos custos da assistência médica não era uma questão para ser resolvida somente pelo RH mas deveria ser uma questão para a liderança em qualquer companhia. Atrair a atenção por dados confiáveis e implementar medidas pró-ativas, naquela hora era inviável.


Formamos um grupo de profissionais e durante 15 dias conhecemos programas em empresas norte americanas. Na volta continuamos com reuniões para troca de idéias sobre o que vivenciamos durante o tour.


Rapidamente convidados começaram a participar e com isso ganhamos massa crítica pela atratividade e seriedade do tema, pela transparência, pela ausência de significado político e comercial sendo então formado o Grupo Qualidade de Vida, que cresceu de forma exponencial. O entusiasmo era visível e para mantê-lo atemporal e bem gerenciado fui estimulado a formalizar o grupo. Resultou na criação da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, pioneira na disseminação do conceito no pais e que nesse mês realiza seu congresso anual.


Nos anos seguintes, o conceito de qualidade de vida se fundiu à promoção da saúde e até hoje capacitar e manter a força de trabalho motivada para incorporar um estilo de vida saudável continua entre os principais fundamentos da promoção da saúde.


Diferentes segmentos entraram em campo contribuindo para o amadurecimento do conceito e acredito que nunca houve um momento tão instigante no campo da saúde organizacional como esse que estamos vivendo agora. O consenso entre os colegas com os quais convivo é que a saúde se valorizou e profissionais capacitados são bastante procurados. Certificação nessa área e recompensas para empresas com políticas estruturadas de promoção de saúde serão os próximos passos.


Hospitais continuarão satisfeitos em tratar doenças, apesar de começarem a explorar oportunidades na área da promoção, oferecendo serviços a sua comunidade de influência. Apesar de toda a carga de informação, a obesidade e o sedentarismo continuarão a crescer, devido ao estilo de vida ocidental. Saúde mental e sono, dois temas de alto interesse. As empresas olharão saúde também como verdade econômica, e cada vez mais a relação com a produtividade se integrará no desenvolvimento do conceito. Provedores e empregadores se aliarão para oferecer programas de ganha-ganha.


O aumento da necessidade de saúde, da competição, da conscientização e a evolução tecnológica e postura da indústria farmacêutica ficarão cada vez mais sólidos. Os fatos são indiscutíveis e a oportunidade é única para novos modos para abordar a saúde. Educar o usuário a tomar decisões e utilizar de forma adequada os serviços atualmente disponíveis parece ser a melhor estratégia. A avaliação de riscos determinará quem provavelmente gerará mais custos de assistência médica no futuro. Todos nós deveremos ser agentes de mudanças, mas ainda existe chão pela frente. Chegaremos lá...

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