PERSPECTIVAS CORPORATIVAS - INVESTIMENTO EM PROGRAMAS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE



O propósito desse conteúdo é comentar sobre a capacidade de programas de promoção de saúde na redução dos gastos médicos e absenteismo dos empregados. Os comentários feitos mostram o cenário das certezas e dúvidas ainda existentes quando o assunto é investir em saúde. Duas questões são fundamentais:

  • Individuos e populações de alto risco têm resultados financeiros piores que indivíduos e populações de baixo risco?

  • Ações em promoção de saúde melhoram os resultados financeiros?

Existem boas correlações sugerindo que altos níveis de stress, peso corporal excessivo e presença de múltiplos fatores de risco estão associados com custos médicos mais elevados e absenteismo por doenças. A associação de colesterol elevado, baixa qualidade da dieta, hipertensão artéria, ingestão abusiva de álcool com absenteísmo e gastos médicos é confusa em certas circunstâncias. A promoção da saúde está associada a menores taxas de absenteismo assim como programas de condicionamento físico com a redução de custos.


As corporações enxergam prevenção como valor?


Os programas de promoção de saúde patrocinados pelas empresas estão há mais de quatro décadas no mercado. Na década de 70 eram incorporados pelo fato da liderança achar que era a coisa certa a fazer, pois viraram moda. Se o competidor fazia, por que não fazer? O investimento em academias corporativas foi explosivo.


Hoje a situação mudou significativamente. Pela competição e crescimento da economia de serviços existe uma forte pressão para “apertar os cintos” reduzindo desperdícios e redundâncias e, focar mais no negócio (clichês ouvidos durante reuniões de conselho). De fato, muitas companhias têm refletido seriamente na oferta de beneficios de saúde mais amplos. Na década de 90 durante os Study Tours de benchmarking que fizemos aos US, a primeira pergunta feita era: porque promoção de saúde?


As respostas eram curiosas... por exemplo, a PepsiCo dizia que não tinham que mostrar qualquer retorno; faziam porque tinham certeza que era bom para os empregados. No outro extremo, a Xerox como exemplo, dizia que todo final de ano fiscal era necessário mostrar claramente o retorno do investimento para conseguir orçamento para o próximo ano – um fato interessante que mostrava o valor do dólar investido era que na sua sede em Rochester (NY), cidade pequena, identificavam diferentes prestadores de serviço onde a família Xerox recebia descontos em suas compras (mecânica, farmácia, livraria, academia, farmácia, nutricionistas, floricultura, restaurantes, etc). A média de descontos era de 25 dolares por compra por família (05 por mês), resultando numa economia da ordem de aproximadamente 1,500 dólares/ano por família. Com cerca de 3 mil empregados o dinheiro economizado que ficava no bolso dos empregados era da aproximadamente de 4,5 milhões de dolares. Era considerado um benefício de promoção da saúde financeira.


A construção de um “case” de promoção de saúde requer mais do que a abordagem tradicional de usar dados de retorno do investimento. Algumas avalições revelam que programas de prevenção apresentam dados conflitantes em retornos a curto prazo e em algumas vezes a longo prazo se inadequadamente controlados.


Muito ainda permanece indefinido sobre a complexa relação entre fatores de risco modificáveis, os riscos futuros de doenças e as despesas médicas. Obter uma associação clara entre redução de custos de assistência médica e a participação em atividades preventivas tem sido igualmente dificil.


Eu acredito que os beneficios são significativos e não somente pelo retorno do investimento. A estratégia de identificar e engajar a população de empregados em ações preventivas tem obtido aceitação mas apresenta desafios significativos. A maioria das ferramentas de identificação de individuos com risco para determinadas doenças tem uma correspondência relativamente baixa para os verdadeiros resultados de doenças. Pelo fato dos recursos para conduzir esses programas serem limitados, onde as empresas devem gastar seu dinheiro?


Existem programas que podem superar os obstáculos tradicionais do custo-benefício. A prevenção terciária que pressiona para mudanças de comportamento pode ser efetiva na redução da admissão hospitalar, duração da internação e absenteismo em individuos com sintomas de diabetes, doenças coronarianas, insuficiência cardiaca e asma. Focar nessa população produz resultados. Os participantes têm maior probabilidade de permanecer mais tempo no emprego quando comparados a população em geral e isso amplia o benefício. A prevenção secundária como ”screenings” para doenças crônicas de alta prevalência (ex hipertensão arterial) podem também ser benéficos se esse tratamento for feito por provedores de alta qualidade. E a prevenção primária por intervenções associados a estilo de vida saudável? Existem dados conflitantes no custo benefício dessas intervenções pois seus beneficios são mais a longo prazo e difíceis de se sustentar. Nos cálculos tradicionais do custo benefício são os primeiros a serem eliminados.


Existem evidências que a promoção quando associada a estratégias de assistência médica é consistente. Além do objetivo de reduzir riscos pessoais, o objetivo de reduzir riscos por erros médicos, excesso de intervenções, consultas, exames e medicamentos, e baixa qualidade do sistema assistencial podem e devem estar alinhados com esforços preventivos.


Os programas de prevenção podem ser usados no início do processo para elevar a conscientização e em última instância tornar o consumidor mais capaz do uso adequado do seu plano médico. Consumidores capazes de escolher tratamentos mais efetivos e adequados e que procuram cuidados de médicos de alta qualidade gastam menos e conseguem melhores resultados como grupo. Também fornecem um estimulo adicional para a melhoria desse plano. O ponto chave é integrar atividades de promoção e prevenção numa estratégia de assistência médica para obter resultados dos dois lados.


Pesquisa pelo AJHP mostrou que:

  • Sedentários têm despesas com saúde 36% maiores, tempo de internação 54% maior e taxa de absenteismo 27% maior quando comparados a não sedentários

  • Obesos têm despesas com saúde 08% maiores, tempo de internação 85% maior e taxa de absenteismo 05% maior quando comparados a não obesos

  • Fumantes têm despesas com saúde 25% maiores, tempo de internação 114% maior e taxa de absenteismo 40% maior quando comparados a não fumantes

  • Estressados têm despesas com saúde 34% maiores, tempo de internação 42% maior e taxa de absenteismo 24% maior quando comparados a não estressados

Programas de promoção de Saúde criarão mudanças duradouras na medida que estiverem sistematizados e integrados na organização, como outros sistemas de gerenciamento. GO AHEAD

Destaques
Arquivo
Acompanhe
  • Grey LinkedIn Icon
  • Cinzento Ícone Google+
  • Grey YouTube Icon

São Paulo - Brasil contato@cph.com.br

  • White LinkedIn Icon
  • White YouTube Icon
  • Branco Ícone Google+