Promoção da Saúde Corporativa - Cap 7 - RUSSIA

Essa série semanal é baseada no livro GLOBAL PERSPECTIVES IN WORKPLACE HEALTH PROMOTION (Karch & Kirsten – Jones & Bartlett NY), no qual participei como co-autor, oferece um relato global do status da promoção de saúde em organizações de 21 países contribuindo para uma força de trabalho mais saudável, aumento da produtividade e redução dos custos de assistência médica.

RICARDO DE MARCHI, MD


GRUPO SAÚDE CORPORATIVA

CAPÍTULO 7 - RUSSIA


Autor:

· Rimma A. Potemkina MD PhD -State Research Center for Preventive Medicine Ministério da Saúde e Desenvolvimento Social – Federação Russa- Moscou

· Grupos étnicos – russos 80%, tatar 3.8%, Ucranianos 2%, outros 14.4%

· Religião – ortodoxa 80%, muçulmana 15%, cristãos 2% -

· Língua – russo

· Governo – federativo

· População - 145 milhões

· Idade media – 40,3 anos

· Expectativa de vida – 72,2 anos

· Renda anual percapita – US$ 11.600,00


INTRODUÇÃO


A Federação Russa é o país com maior área de terra no mundo, localizado no leste da Europa e norte da Ásia. A maior parte de sua população vive em áreas urbanas. De acordo com a constituição, o poder estatal é exercido pelo presidente e pela assembleia através do conselho federal (alto clero) e do state duma (baixo clero). O país tem uma estrutura federal formado por 83 membros federativos definidos pela localização geográfica.


A indústria de energia é o setor mais importante, além de transporte, papel e mineração. A atual cultura russa visa reconstruir as antigas tradições, especialmente a religião e integrá-las na vida moderna. Está ranqueada na posição 95 dos países mais saudáveis do mundo (Bloomberg index), atrás de muitas nações da Europa oriental.


O Ministério da Saúde (Minzdrav) é o órgão responsável por desenhar e implementar as políticas e regulamentos obrigatórios na área da assistência médica, na produção e distribuição de produtos farmacêuticos, medidas de prevenção de doenças tais como AIDS e outras infecções, tratamento médico, reabilitação, avaliação, saneamento, bem-estar epidemiológico da população de empregados em indústrias, assim como a gestão dos serviços médicos, introdução de tecnologia, novos métodos de prevenção, de diagnóstico, de tratamento, testes forenses, organização de associações, pós-graduação em universidades, etc.


QUESTÕES PREDOMINANTES


Entre os maiores desafios estão a alta taxa de mortalidade, principalmente por doenças cardiocirculatórias,

baixa taxa de nascimento, migração muitas vezes ilegal, crescente morbidade e aumento de doenças infecciosas como a tuberculose e AIDS.


As maiores causa de morte estão associadas aos fatores de risco comportamentais e na última década, sob a supervisão do programa russo de doenças não comunicáveis, 6 regiões conduziram avaliações de fatores de risco em 18.000 indivíduos. A pesquisa mostrou que:

  • 45% dos avaliados eram hipertensos

  • 68% dos homens e 32% das mulheres eram tabagistas

  • 1/2 dos homens e 2/3 das mulheres tinhas excesso de peso

  • 80% tinha baixo consumo de frutas e verduras (menos de 400g/dia)

A pesquisa também mostrou que 35% dos homens ingeriam álcool em excesso e 17% da população era totalmente sedentária.


SISTEMA DE ASSISTÊNCIA MÉDICA


O atual sistema foi estabelecido no começo desse século tendo como princípio fundamental a disponibilidade e gratuidade dos serviços. O seguro saúde do governo é compulsório e cobre todos os cidadãos do país. Tradicionalmente o planejamento do orçamento para a assistência à saúde é baseado no número de leitos hospitalares, e consequentemente a quantidade de leitos é desnecessariamente maior que em outros países apesar de atualmente ter diminuído. Atualmente o número de leitos por 1000 habitantes é da ordem de 9.1, quase o dobro da média doo OECD (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico formado por 37 países com alto índice de desenvolvimento humano, correspondendo a 42,8% do PIB global. (Colômbia, Chile e Colômbia são os membros da A. Latina).


O gasto com saúde representa 6.5% do PIB sendo que 48% desse valor vem da taxa de seguro do governo deduzida dos salários Aproximadamente 5% da população tem seguro saúde voluntário. Em 2010, 640 mil médicos e 1.35 milhão de enfermeiras estavam empregados na assistência médica russa. O número de médicos por 10 mil habitantes era de 44, mas somente 12 em áreas rurais.


Baseado em estatísticas oficiais 1 em cada 3 russos estão expostos a más condições de trabalho apesar do baixo nível de morbidade ocupacional (pouca notificação). Como característica, a saúde ocupacional russa só registra oficialmente acidentes fatais. Com o fim da União Soviética a assistência médica russa tinha dois sistemas – público e privado. Cortes drásticos no orçamento do sistema estatal levaram ao declínio da qualidade e isto tornou o sistema privado mais competitivo.


Putin trouxe de volta um maior orçamento para a saúde pública e a melhoria foi grande com o gasto por pessoa indo para US$ 957 em 2013. Em 2014, devido à crise financeira russa, novamente houve um corte no orçamento e com isso períodos de espera aumentaram e os pacientes foram forçados a pagar por alguns serviços que anteriormente eram gratuitos.


Recentes desenvolvimentos


Começando em 2000 houve um significativo crescimento das despesas com a saúde público e em 2011 Putin anunciou uma reforma da assistência médica em larga escala se comprometendo a alocar mais de 300 bilhões de rublos ($US 10 bilhões) nos próximos anos. O plano incluiu dobrar a quantidade de profissionais de saúde e privatização gradual dos serviços.


Também lançou o projeto UMIAS (Integrated Medical Information and Analytical System of Moscow) a fim de tornar a assistência médica mais conveniente e acessível aos moscovitas. O sistema de seguro privado, conhecido como seguro voluntário para se distinguir do seguro mandatório (sistema público) experimentou um nível sustentável de crescimento devido à insatisfação com o serviço oferecido pelos hospitais públicos.


INFLUÊNCIA DA CULTURA E MENTALIDADE


Existem mais de 83 regiões na Rússia e mais de 140 milhões de habitantes com diferentes nacionalidades, culturas e religião. Isso leva a muitas especificidades na saúde, nos hábitos, nos ambientes sociais e físicos, na nutrição, clima e nível de urbanização. Como exemplo, os hábitos nutricionais no Norte (peixe e carne) diferem dos hábitos do Sul (frutas e legumes com maior prevalência).


Do ponto de vista de doenças não comunicáveis (NCD) estudos epidemiológicos indicam que a prevalência de fatores de risco é bastante similar nas diferentes regiões e comparáveis aos de outros países. O conceito de fatores de risco comuns para NCD serviram como base para a implementação de uma abordagem integrada à promoção da saúde e prevenção de doenças no país.


IMPULSIONADORES DA PROMOÇÃO DA SAÚDE NO TRABALHO


Existem diversas razões econômicas e humanitárias para que os programas de promoção de saúde no trabalho sejam importantes para os negócios:

  • Prosperidade da companhia e saúde dos empregados

  • Atração e retenção de pessoal habilitado

  • Redução dos fatores de risco e dos custos

  • Responsabilidade social

CONCLUSÃO


O ambiente de trabalho é bastante favorável para a organização intersetorial e para os programas de promoção de saúde. Um ponto importante deverá ser a criação de um time intersetorial para resolver os problemas relacionados ao ambiente de trabalho.


O uso de experiências locais e internacionais tem sido consideradas na elaboração e realização de programas de prevenção de doenças e promoção de saúde. A taxação preferencial de companhias que realizam ações preventivas e promovem a saúde tem sido cada vez mais considerada. A lei diz que as companhias poderão transferir até 2% de sua tributação de lucros para organizações públicas engajadas com programas de melhoria da saúde da população


Para a Rússia, está claro que promover saúde no trabalho beneficia a empresa e a sociedade em geral. O sucesso do processo depende em grande parte da interação entre o setor de negócios e a sociedade como um todo.


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