REFLEXÕES SOBRE SAÚDE E SEGURANÇA

SE EXISTE TREINAMENTO EM SEGURANÇA, PORQUE NÃO EM SAÚDE?


NÃO BASTA FAZER MAIS DO MESMO – É PRECISO EVOLUIR


Apesar dos esforços realizados para a redução do índice de sinistralidade, ele continua a impactar nos reajustes dos planos de assistência médica e as negociações são sempre difíceis e desconfortáveis para ambas as partes. A vitória do cliente na negociação significa nada mais que a redução de certa % no reajuste pedido pela operadora.


A demonstração do número de procedimentos acessados pelo usuário e valor pago são fatores inquestionáveis e não existem argumentos que desconsiderem esses dois fatores. Esse reajuste é acordado previamente entre cliente e operadora e a sinistralidade é avaliada coletivamente, não considerando o indivíduo, mas sim o resultado do grupo de usuários (mutualidade), ou seja, não significa que um indivíduo mesmo com uso adequado, hábitos saudáveis e menores riscos pague menos, pois o valor é representado pela relação entre procedimentos e gastos de todo o grupo de usuários.


Isso é crítico e um exemplo típico aconteceu comigo: quando fiz 50 anos recebi uma carta do plano médico e achei que seria um voto de parabéns pela data, mas na realidade era a comunicação que havia entrado numa nova faixa etária e, portanto, haveria um acréscimo em meu pagamento mensal. Foi algo desagradável, não pela idade, mas pelo fato que não tinham a mínima ideia de meu nível de saúde, pois eu nunca, durante mais de 15 anos havia usado o plano e isso não fazia diferença nenhuma. Argumentos não existiam e a única coisa que fiz para demonstrar meu descontentamento foi mudar de plano. Imagino que um bônus por estilo de vida e gestão consciente da própria saúde estimularia qualquer um a ter maior atenção no uso adequado e em comportamentos saudáveis.


Infelizmente a legislação (lei 9.656/98) foca somente no critério fixado no ato do contrato e a RN 195/09 e tem ligação direta com a faixa etária. Então os custos continuam a ser enfrentados com as velhas armas ano após ano e os conflitos permanecem presentes.


Congressos e fóruns discutem fatos e seus problemas e pouco suas soluções. Pensam a curto prazo. Apagar o fogo, pensando somente no hoje, deixando o futuro ao acaso é o procedimento frequente, mas a realidade é bem diferente. A palavra-chave é sustentabilidade e ela começa com a reflexão sobre esse cenário. Mais de 90% da verba da área de saúde é usada para tratamento de doenças, e quase nada é direcionado para uma efetiva prevenção. Sabemos também que os custos indiretos (absenteísmo, presenteísmo e afastamentos) são 2 a 3 vezes maiores que os custos diretos (médicos e internações) e isso claramente mostra a necessidade de intervenções diferenciadas


Diversas alternativas que contribuem para diminuir o índice de sinistralidade existem incluindo tecnologias apropriadas e sensatas, linhas de cuidados criativas, relacionamentos diferenciados, etc, entretanto, um elo continua faltando nessa corrente – educação. Educar o usuário no uso adequado do plano médico, elevando sua responsabilidade com a própria saúde por meio de programas de prevenção de doenças e promoção de saúde é ao meu modo de ver, a ação que funciona.


GO AHEAD

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