Série Promoção da Saúde Corporativa - Capítulo 3 - ISRAEL

Essa série semanal baseada no livro GLOBAL PERSPECTIVES IN WORKPLACE HEALTH PROMOTION (Karch & Kirsten – Jones & Bartlett NY), no qual participei como co-autor, oferece um relato global do status da promoção de saúde em organizações de 21 países, contribuindo para uma força de trabalho mais saudável, aumento da produtividade e redução dos custos de assistência médica.

RICARDO DE MARCHI, MD


GRUPO SAÚDE CORPORATIVA

CAPÍTULO 3 - ISRAEL


Autores:

· Peter Thomas Honeyman MB FACOEM – Occupational Physician

· Linda Kovler –Intel Global Health

· Grupos étnicos – judeus 80%, árabes 20%

· Religião – judeus 78%, muçulmanos 16%, cristãos 1.8%, druzos 1,6%

· Governo – democracia parlamentar

· Língua oficial - hebraico (árabe e inglês)

· População – 9.100.000

· Idade média- 29 anos

· Expectativa de vida – 82,9 ANOS

. Renda anual percapita - US$ 43.600,00

INTRODUÇÃO


Israel é um país com grande densidade populacional apesar de haver regiões pouco povoadas e desérticas. A saúde é representada pelo bem-estar físico, psicológico e social e, tradicionalmente, o ambiente de trabalho israelense cuida dos empregados e familiares promovendo o bem-estar social com qualidade.


A desigualdade salarial ainda é uma questão a ser resolvida e a baixa renda é concentrada em 50% da população árabe e em 60% da população de judeus ultra religiosos pelo fato da pouca participação no mercado das mulheres árabes e dos homens judeus religiosos. Israel nasceu numa terra com poucos recursos naturais em um ambiente hostil, com uma população traumatizada e por isso a saúde permanece uma prioridade nacional.


O Ministério da Saúde tem a responsabilidade de assegurar a saúde da população. Determina a política de serviços médicos e se encarrega do planejamento, supervisão, controle, e coordenação do sistema, providenciando hospitalização e serviços preventivos e garantindo saúde mental, geriatria, saúde pública e reabilitação.


QUESTÕES PREDOMINANTES


A expectativa de vida está entre as 10 mais altas do mundo e as doenças não comunicáveis correspondem a 68% das mortes, sendo que desse total 1/3 ocorrem por doenças cardiovasculares e 1/4 por câncer.


A taxa de nascimento é uma das mais altas da Europa e quase duas vezes a média do setor. A população é bastante heterogênea o que reflete em muitas variáveis incluindo trabalho doméstico, rendimento, comportamentos e nível de saúde.


Pesquisas mostram que entre 25-64 anos, 90% dos homens e 87% das mulheres percebem sua saúde como boa ou muito boa, em comparação com a Europa onde a boa saúde é percebida por 73% da população.


Apesar disso, o nível de saúde mental está abaixo da média europeia. Tabagismo é alto e o consumo de álcool baixo. Quanto a vida ativa, aproximadamente 40% dos israelenses praticam atividade física menos de 30 minutos por semana.


Os maiores desafios para políticas de promoção de saúde definidos pela iniciativa Healthy Israeli 2020 é fazer com que a promoção de saúde esteja baseada em evidencias como justiça social, apoio público e equilíbrio entre esses objetivos e outras demandas orçamentárias.


SISTEMA DE ASSISTÊNCIA MÉDICA


A assistência médica em Israel é universal e todos os residentes tem assegurado por direito os cuidados médicos básicos. A participação num plano de seguro saúde é compulsório e a lei nacional do seguro saúde obriga os cidadãos a escolherem uma entre as 4 organizações oficiais de seguro, conhecidas como Kupot Holim - organizações sem fins lucrativos. A maior delas é a Kupot Holim Clait que cobre aproximadamente 60% da população.


O pagamento é feito de forma proporcional de acordo com a idade e a gravidade do quadro da doença. O departamento de saúde estabelece níveis mínimos para o tratamento, incluindo programas de saúde pública como vacinação, por exemplo. As pessoas podem escolher elevar o nível de cobertura dos serviços, melhorando as opções, comprando um seguro privado. Além disso, as empresas podem pagar um seguro privado como benefício a seus empregados.


Existe um seguro nacional que cobre desemprego, doenças do trabalho e absenteísmo por acidentes, além de incapacidades, gravidez e aposentadoria, mas não cobre programas preventivos.

Os provedores de assistência primária usualmente são ligados a organizações de saúde e são pagos de acordo com a faixa salarial do usuário.

Os serviços são acessíveis sem muita demora. A promoção de saúde tem um escopo mínimo - screenings e vacinação sendo que o departamento de saúde mantém atividades separadas relacionadas ao estilo de vida saudável. Em 2020, o sistema israelense foi classificado como o 3º mais eficiente do mundo.


INFLUÊNCIA DA CULTURA E MENTALIDADE


O crescimento da população Judaica em Israel não tem sido uniforme, devido a grandes migrações e isso a torna muito variada com diferentes grupos mantendo diferentes tradições. A base da ideologia israelense é a construção de uma sociedade saudável. Os dois fundamentos iniciais são os valores culturais judeus e a ideologia de uma utopia socialista. As crenças relacionadas à saúde derivam desses valores – tikun olam (melhoria da sociedade) e gemilut chasadim (caridade) e são fortemente influenciadas pelo médico judeu do século X Moses Maimonides (Rambam). Enfatizam a importância da vida humana, cuidado pessoal e assistência ao doente através de suporte profissional e hospitais de caridade.


O isolamento das comunidades judaicas durante a Diáspora, antes da fundação do Estado de Israel elevou a tradição em relação à alimentos e hábitos alimentares. Os requisitos religiosos para a restrição alimentar (Kashrut) levou ao desenvolvimento de uma forte cultura familiar relacionada aos alimentos – não ao álcool – como centro de todas as reuniões sociais e/ou religiosas. O álcool é usado em várias cerimonias religiosas, mas geralmente em pequenas quantidades. Apesar do consumo de álcool ser crescente entre os jovens, o consumo médio entre a população é pequeno.


A cultura da atividade física e atração por atividades ao ar livre foi pouco desenvolvida durante os primeiros momentos do século XX pois durante a diáspora, os judeus foram expulsos de diversos países e não tinham permissão de ser proprietários de terras. Os pais encorajavam muito mais seus filhos a seguirem a vida acadêmica que esportiva. Era raro ver um judeu esportista. Isso começou a mudar na Palestina, com a criação do movimento de kibutz e os primeiros kibutz colocaram em prática conceitos como o trabalho manual, na terra, estrutura social igualitária e vida física. Essa visão da aptidão física e força após o holocausto cresceu pela necessidade de formar uma força nacional de defesa impactando no modo com que os jovens buscam esportes e atividade física. Com 18 anos de idade os com melhores condições físicas são recrutados para as unidades militares de maior prestígio.


O maior provedor de assistência médica (Kupot Holim Clalit) se estabeleceu na Palestina em 1911 como uma entidade mutual para a população judaica. A Histradut Jewish Trade Union é outra vertente do ideal de utopia socialista, fornecendo a seus membros benefícios como serviços de saúde e pagamento por doenças. O Histradut é o maior empregador de Israel.


IMPULSIONADORES DA PROMOÇÃO DE SAÚDE NO TRABALHO


O sistema eleitoral israelense encoraja coalizões políticas temporárias em que os ministros são usualmente indicados por conveniências políticas que são direcionadas por restrições orçamentarias, contribuições profissionais e pelas demandas populares percebidas.


As organizações de saúde israelenses não têm incentivos para atividades de promoção de saúde diferenciadas, além das básicas existentes na saúde pública. Algumas tem departamentos internos de saúde ocupacional onde os médicos certificam as incapacidades para a obtenção dos benefícios do seguro.


Algumas empresas realizam screenings anuais afastadas de problemas ocupacionais. Os médicos são pouco incentivados a promoverem saúde e a profissão de enfermeiro ocupacional não é reconhecida. O departamento de saúde está dando mais atenção à promoção de saúde principalmente para minorias e os sindicatos tem agido como estimuladores da saúde dos empregados.


As empresas não recebem incentivos do governo para promover a saúde e suas atividades nesse campo são consideradas benefícios e em muitos casos sujeitas a taxação. As empresas assumem tais atividades para maior vantagem competitiva na atração e retenção. Como não pagam pelo seguro nacional não recebem incentivo para a promoção da saúde. Além disso não são orientadas por consultores de saúde independentes os quais poderiam conscientizá-las sobre os custos da má saúde. Finalmente também não tem um sistema de gestão que poderia ser a base efetiva da promoção de saúde


CONCLUSÃO


A promoção de saúde em Israel combina esforços das empresas, empregados e sociedade e aborda os pré-requisitos de saúde como alimentação, segurança, acesso e renda através da empregabilidade e condições de trabalho. O foco em educação em saúde e marketing tem crescido com o objetivo de mudar comportamentos de risco. As questões sobre saúde mental com taxas significativas de queixas, podem ser explicadas pela imigração além dos conflitos regionais bastante frequentes.

O objetivo maior para a promoção de saúde é ditado pela paz.

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