THE BONUS PROJECT – Bonificação para Empresas que Valorizam Saúde



Saúde não é determinada somente pela genética individual, estilo de vida e escolhas pessoais. Fatores econômicos, sociais e educação também são fortes influências para a saúde, assim como as condições de trabalho. Hoje as empresas cada vez mais operam sob condições de competitividade, flexibilidade, automatização, parcerias e downsizing, as quais têm importantes implicações na saúde e no trabalho.


Um projeto interessantíssimo que tive o prazer de conhecer em Hanôver foi o The Bonus Project, capitaneado pelo colega Michael Drupp, diretor do departamento de saúde da AOK, uma das maiores companhias de seguro saúde da Alemanha (Lower Saxony) com mais de 30milhões de segurados e que por mais de 100 anos fornece uma assistência médica diferenciada a seus clientes.

Reconhecendo o vínculo entre ambiente de trabalho, saúde e produtividade, o escritório regional da World Health Organization (WHO) para a Europa, lançou um projeto piloto para promover a saúde do trabalhador. Sabiam que deveriam considerar mais do que os comportamentos individuais como hábitos alimentares, sedentarismo, fumo, ingestão de álcool etc. Deveriam influenciar causas mais profundas de doenças. Como parceira escolheu a AOK, para incentivar empresas privadas a investir em saúde. A AOK concederia “bonus” ou descontos no valor do prêmio mensal do seguro para as companhias que assumissem o comprometimento com a promoção da saúde.


Juntas (WHO e AOK) começaram por recrutar 37 empresas líderes com forte história de desenvolvimento organizacional, cultura adequada, know-how e qualidade de gestão. Só escolheram empresas que com alguma certeza poderiam fazer investimentos adicionais na saúde se necessário. Companhias tinham que demonstrar compromisso de posicionar a saúde como parte importante de seus objetivos estratégicos, capacidade em promover a saúde internamente e desejo de aprender. Neste cenário o projeto montou uma sólida infraestrutura de apoio a cada uma dessas companhias. Com um orçamento de quase 30 milhões de dólares o projeto forneceu:


· Gestão do projeto AOK para apoiar e orientar cada empresa participante

· Suporte constante durante o processo

· Assistência para a criação de plano de ação e abordagem de eventuais fraquezas existentes e identificar melhorias


AOK/WHO auxiliaram as companhias a identificar suas prioridades e onde poderiam atingir ganhos. Desse modo os programas variaram consideravelmente em cada companhia e as metas foram além das normas de saúde e segurança exigidas por lei. De fato, a ênfase mudou do foco na doença para o foco na saúde.


Uma importante característica foi a troca de informações entre as companhias participantes (aprendizado Inter–organizacional). Partilharam muitas questões em encontros programados com certa frequencia, além de ligar aspectos operacionais ao desenvolvimento de políticas. Um grupo “guarda-chuva” teve a missão de influenciar políticas de apoio a mudanças positivas nas práticas existentes e reduzir barreiras. Esse processo claramente promoveu melhor entendimento e comunicação entre os diferentes participantes.

AVALIAÇÃO


Usando uma versão adaptada do European Quality Model, cada companhia após um ano avaliou o progresso ligado aos objetivos que foram estabelecidos como prioridade. Os pré-requisitos avaliados foram nivel de comprometimento dos gestores, recursos atribuídos ao projeto e. grau de treinamento do staff.


Os critérios usados para a avaliação incluíram: efetividade, satisfação do participante, indicadores relacionados ao status da saúde e impacto interno.


Investigaram os seguintes elementos:

· Satisfação no trabalho

· Melhor qualidade de vida

· Diminuição de doenças crônicas

· Redução de despesas médicas

· Aumento da produtividade


Essa prática foi conduzida durante o primeiro ano, servindo de base para a inscrição para um novo periodo de 1 ano e desde que cumpridos os objetivos a empresa receberia o incentivo financeiro.


Um processo de avaliação externo também foi realizado pela WHO e serviu para avaliar mudanças na política ambiental e o potencial de reduzir barreiras para a implementação. Uma série de técnicas foram usadas no processo tais como entrevistas, visitas aos sites e revisões analíticas. Os auditores coletaram informações sobre:

· Liderança

· Situação da saúde

· Organização do processo

· Orientação para os empregados

· Responsabilidade do grupo envolvido

· Recursos

· Estratégia e planejamento


O programa fez com que a Agência Federal de Saúde refletisse sobre mudanças nas políticas vigentes, com que as seguradoras pensassem em redesenhar seus produtos e critérios existentes, e que a economia com os custos diretos e indiretos recebessem maior atenção.


O investimento deu retorno para a AOK e o programa foi muito bem-vindo pelos empregadores e empregados. A AOK demonstrou liderança e um diferencial na área, onde o orçamento para saúde se transferiu da assistência à doença para a promoção da saúde. Os beneficios também vieram pelo aumento da produtividade, menor taxa de absenteismo e diminuição dos gastos com a assistência médica. A melhoria da segurança econômica pela promoção da saúde, bem-estar e satisfação no trabalho se moveu para o coração dos valores da companhia.


Apesar do sucesso do projeto algumas questões permaneceram:

· Como fazer com que esses achados imediatos se mantivessem?

· Como tornar essas medidas um padrão corporativo?

· Poderia essa redução de custos ser traduzida em redução de impostos ou prêmios menores de seguro?

· Os incentivos poderiam ser interessantes e atraentes mesmo sem o bonus financeiro?

Uma situação ganha-ganha

Na gestão da saúde corporativa o benefício tanto para a companhia quanto para os empregados resultou num ciclo de ganha-ganha. Empregados felizes com mais qualidade, ficaram doentes com menor frequência e tiveram menor índice de acidentes. Mostrou o alto interesse dos empregados por desfrutarem de melhor saúde, qualidade de vida e condições de trabalho, e também das empresas que se beneficiam pela maior produtividade e com isso mais competitivas. Seguradoras também ganharam pela redução de acidentes e menor utilização do seguro médico e consequente redução de custos acessórios.

Devido aos requesitos relativamente altos, o comprometimento teve de ser considerável por parte das companhias para poderem participar por mais de um ano. Para algumas, o bonus conseguido foi a motivação principal, enquanto para outras a chance de um aprendizado onde saúde foi a âncora da sustentabilidade do negócios. O retorno para a AOK além da imagem, foi de aproximadamente 8% de redução de custos nas contas médicas, menor quantidade de prescrições e economia nos custos totais da saúde. Outro beneficio foi o aumento no numero de companhias clientes interessadas em participar (ganho e fidelização de clientes). Numa investigação separada, a AOK mostrou que taxa de absenteismo em 14 das companhias participantes caiu de 5.91 dias para 4,23 dias num periodo de 4 anos, ou 28.4% menor comparado á media do mercado.

Apesar de ser óbvio que investir em saúde gera resultados economicos relevantes, nosso país ainda está distante desse tipo de intervenção. Uma intervenção com vontade politica e também por iniciativa e coragem dos players da cadeia de saúde, os quais continuam na toada de precificar os premios pelo “tamanho da manada” (risco actuarial considerando estatísticas para determinar o risco e retorno nos segmentos de seguros) faria sucesso. Fazer o mesmo e desejar resultados diferentes todos nós sabemos o que significa. A precificação pelo risco individual seria algo atraente e faria com que a responsabilidade pessoal com a saúde fosse relevante, pois “doeria” no bolso de quem não se cuidasse. Em meu aniversario de 45 anos recebi um cartão de meu plano médico e pensei que fosse uma felicitação pela data. No entanto era uma mensagem dizendo que nessa nova faixa etária haveria acréscimo em minha mensalidade!. Não conheciam meus hábitos, riscos, genética e histórico pois nunca havia utilisado o plano e mesmo assim “mandaram ver”. Troquei de plano simplesmente pela surpresa negativa, porém o caminho continuou sem novidades.

Novos desenhos acontecerão em contextos que façam mais sentido para o usuário que no fim do dia é quem paga a conta.


Produtos individualizados trarão ganhos para todos. Não há desculpas para não fazê-lo. Um dia chegaremos lá. GO AHEAD



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